CLAUDIA BRIZA
Mesa, foto projetada, retroprojetor, barbante e galho, 100 x 250 x 150 cm
Detalhe
Escada, foto projetada, projetor e romã 100 x 300 x 150 cm
Detalhe
Projetor de slides, banco, barbante e livros 35 x 130 x 65 cm
Detalhe
Retroprojetor, mesa, tinta sobre papel, galho, banco e balão, 140 x 250 x 140 cm
Chapeuzinho Vermelho, 2014
Exposição individual. qualcasa - São Paulo, SP
Série de montagens feitas com projeções de fotos e objetos que interagem a
essas projeções, colocadas lado a lado no espaço expositivo, com a intenção de contar a estoria “Chapeuzinho Vermelho”. Cada pequena instalação de luz e sombra narra um trecho da antiga estoria.
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texto da exposição
Era uma vez, há um tempo muito distante, o “Era uma vez”. Já de cara, ele
conquistou a narrativa. Foi logo dando as primeiras palavras em fábulas,
mitos, contos de fadas e romances, até que em um belo dia de verão, o “Era
uma vez” e a “Narrativa” se casaram. E então, viveram felizes para sempre.
Peraí. Acho que exagerei na alegoria. Essa história é bem bonitinha, mas,
felizes para sempre já é demais. Há décadas que a literatura, o cinema e o
teatro não dependem de uma narrativa linear e cronológica. Nada mais justo.
Não devemos mesmo contar histórias somente dessa maneira hermética,
afinal, não percebemos o mundo à nossa volta de forma tão exata assim.
Vivemos nos relacionando com espaços, pessoas, pensamentos, memórias, e
com o nosso grande amigo imaginário, o subconsciente.
Sabendo disso, em sua primeira individual, Briza desconstrói um ícone
mundial das historinhas infantis: Chapeuzinho Vermelho, uma fábula que
tem sua origem na europa do Século XIV. A narrativa que a artista propõe
passa longe do jeito que sempre foi contado esse clássico da cultura popular.
Ela é feita através da pintura, fotografia, vídeo, luz, sombra e,
principalmente, de objetos que se relacionam entre si de maneira
improvável. Escada, mesa, um projetor e um retroprojetor que reproduzem
imagens no espaço expositivo, todos se transformam em elementos próprios
de uma narrativa inusitada.
Dessa forma, Briza propõe uma inversão de papéis. Em sua mostra, quem
deve contar a história do Chapeuzinho Vermelho é o próprio observador. Ele
é o personagem principal. E, por incrível que pareça, é aí que essas
narrativas naturalmente opostas se assemelham. Assim como a famosa
protagonista da história infantil, o observador também encara o dilema de
escolher entre dois caminhos. Um deles, o caminho fácil e seguro de uma
fábula conhecida, o outro, difícil, perigoso e intuitivo, o caminho para novas
e diferentes percepções.
Tchelo